sexta-feira, 9 de dezembro de 2011



Dia cinzento e chuvoso. Antes de ligar computadores, abrir janelas e portas, fiquei olhando a chuva. Como o ambiente está quieto, os barulhos da rua soam mais claros. Cada som perfeitamente distinto. Não tem música, eu não falo, nem penso. Silêncio.

Tenho prezado mais saber compartilhar o silêncio do que ter assuntos em comum.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

De novo...

"Meu desejo de harmonia e tranquilidade é tal que fico anos aturando coisas que não me agradam até que por fim começo a ficar ressentida - quando seria muito melhor dizer não, ou brigar, desde o início." Elizabeth Bishop em 03 de outubro de 1966.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Rises

O post do dia se chama "Begins", mas, eu ando vivendo "a dark night". "Rises", agora?

Espero que sim.

Begins


Ontem peguei um pedacinho de "Batman: Begins" na TV. Infelizmente, dublado. Mas, deu pra ver minha cena favorita mais uma vez.

Adoro Batman e tenho um problema com os filmes do Christopher Nolan: sempre que vejo um trechinho na TV, quero assistir de novo.

Há algum tempo atrás, comprei os dois DVDs e revejo de tempos em tempos, então, nem sei mais quantas vezes assisti os filmes.

Adoro Alfred e Michael Caine ficou perfeito no papel. Vejo e revejo as cenas dele, observando as emoções em seu rosto, em sua voz, na forma como se movimenta.

Minha cena favorita? A Mansão Wayne está sendo consumida por um incêndio, Bruce acabou de ofender a metade influente de Gotham e acha que não vai conseguir salvar a cidade da destruição. Sentado no elevador que leva à bat-caverna, ferido e chorando, diz a Alfred que fracassou miseravelmente.

O mordomo, lembrando da infância de Bruce, pergunta:

Alfred: Why do we fall sir? So we might learn to pick ourselves up.
Bruce: You still haven't given up on me?
Alfred: Never.

Lindo, lindo, lindo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A pele que habito

Faltou falar desse filme.

Gosto de Almodóvar. É meu diretor favorito, tenho quase todos os filmes e revejo frequentemente.

Acho que Almodóvar faz coisas que nenhum outro cineasta é capaz: toma elementos estranhos, talvez repulsivos à primeira vista, e olha para eles com tanto cuidado que consegue despertar identificação.

É como se ele mostrasse a personagem mais esdrúxula e a nossa primeira reação fosse: "que horror! eu não sou assim!". Mas, o olhar dele faz você se perguntar: "não mesmo?".

Isso é o que adoro nele: que mostre a nossa própria estranheza. Porque, pra mim, quanto mais descobrimos nossas inconsistências, mais aceitamos um mundo diverso.

"A pele que habito" me lembrou os primeiros filmes ("Matador", por exemplo), em que a estranheza era mais acentuada e o sexo como elemento de poder/força, mais destacado. Mas, o que me captou - além do título - foi Vicente/Vera.

Minha pele é meu lugar no mundo. É disso que jamais vou me separar. E nada que aconteça fora, pode me mudar. Nem dezenas de cirurgias plásticas. Nem roupas. Nem maquiagem. Nem o afeto -distorcido ou não - de outros.

O que eu sou está fora do alcance de qualquer força ou ameaça. Essa crença é o que me mantém lúcida nesse mundo doido. Ou "do contra", nesse mundo supostamente lúcido.

Enfim, foi um filme importante pra mim.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Baltasar e Blimunda


"Aproximam-se agora um homem que deixou a mão esquerda na guerra e uma mulher que veio ao mundo com o misterioso poder de ver o que há por trás da pele das pessoas. Ele chama-se Baltasar Mateus e tem a alcunha de Sete-Sóis, a ela conhecem-na pelo nome de Blimunda, e também pelo apodo de Sete-Luas que lhe foi acrescentado depois, porque está escrito que onde haja um sol terá de haver uma lua, e que só a presença conjunta e harmoniosa de um e do outro tornará habitável, pelo amor, a terra." José Saramago.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ironia

Eu estava lendo "Sentimento", um conto de Charles Dickens, quando me ocorreu a ideia de "presentes" de Natal para os meus amigos.

Aí, acabei relendo Dorothy Parker, que me lembrou Jane Austen.

Dizer que ingleses são irônicos é redundância. Mas, anos atrás, quando comecei a ler Jane Austen me surpreendi: ela nasceu em 1775, mulher, numa sociedade que privilegiava o primogênito. E é de uma ironia que beira o sarcasmo.

Pra quem viu os filmes, a cena inicial de "Razão e Sensibilidade" entre Fanny e o novo Sr. Dashwood dá uma medida da habilidade de Austen. Ou todas as cenas com o Sr. Bennet, em "Orgulho e Preconceito". Muito, muito bom.

Charles Dickens. "Um conto de Natal" e "Um conto de duas cidades" não têm nada de ironia. Mas, suas "short stories" são quase cínicas! "Sentimento", "Horácio Sparkins" e "Mr. Minnus e seu primo" são minhas favoritas: retratos divertidos e mordazes dos pretensiosos novos-ricos ingleses.

Dorothy Parker. Essa nasceu nos Estados Unidos e teve seu apogeu literário nos anos 1930. Não conhece nada? Corra e compre um livro agora, especialmente se você for mulher: são contos tragicômicos, que captam com precisão nossas incoerências. Um poeminha para ilustrar:

"Príncipe, uma lição lhe dou,
Cunhada no Éden e que jamais envelhece,
Fuja de festas, e evite o zôo -
Mulheres e elefantes nunca esquecem."

Diversão garantida ou seu dinheiro de volta.